"Extrair ou manter os sisos?"

05-02-2013 11:25

Extrair ou manter os sisos?

Não deve existir controvérsia relativamente a esta questão. Não existe nenhuma justificação para a extracção indiscriminada dos dentes do siso. Os sisos que são saudáveis e normalmente posicionados não causam problemas.

Geralmente os dentes que permanecem inclusos, intra-ósseos, numa posição normal, é improvável que causem problemas. Porém, se estes dentes estiverem numa posição anormal, o potencial para causar dano deverá ser avaliado.

A sua extracção deverá apoiar-se em razões objectivas de cariz clínico:


- Infecção pericoronária

Por vezes o siso ultrapassa, total ou parcialmente, o nível ósseo de erupção mas não é capaz de irromper, totalmente, através da mucosa. Cria-se um espaço entre a mucosa de revestimento e a coroa dentária que iniciou mas não completou a erupção, onde se acumulam restos alimentares e proliferam bactérias, produzindo uma infecção purulenta local latente e persistente (pericoronarite).

Daí poderá resultar mau-hálito (halitose), dores com irradiação para o ouvido ou articulação têmporo-mandibular, inchaço, descargas purulentas e, muitas vezes, limitação na abertura da boca (trismus).

A infecção pode propagar-se e envolver os tecidos moles da face e do pescoço, podendo ocorrer uma situação grave que necessite de internamento e cuidados de urgência.

É muito importante ter em conta que, uma vez ocorrido o primeiro episódio, os subsequentes tornar-se-ão mais frequentes e sérios.


- Formação de um quisto

Um quisto odontogénico pode desenvolver-se a partir do tecido epitelial que envolve a coroa de um dente não erupcionado (saco pericoronário).

Estes quistos, de conhecida agressividade e potencial de destruição óssea são, durante anos, assintomáticos, causando expansão da mandíbula, deslocamento ou dano dos dentes adjacentes e invasão de estruturas vizinhas. A mandíbula pode chegar a fracturar espontaneamente. Os doentes surpreendem-se de como é possível, durante tanto tempo, não terem tido qualquer sintoma de alarme.

A remoção do dente e do quisto é necessária para impedir a contínua destruição centrífuga. É possível que tumores possam desenvolver-se a partir destes quistos.


- Cárie
Em dentes parcialmente erupcionados, os mesmos produtos que provocam a pericoronarite podem também ser responsáveis pelo desenvolvimento de cárie do siso e do 2º molar adjacente.

Estas cáries passam frequentemente despercebidas e manifestam-se muitas vezes através de um quadro doloroso, enganador, com irradiação para o ouvido ou articulação têmporo-mandibular. Mais tarde, evoluem para a infecção.


- Pressão dolorosa

A pressão do siso contra o dente adjacente pode provocar uma sensação dolorosa, persistente, com irradiação para o ouvido ou articulação têmporo-mandibular, justificativa da sua extracção.


- Razões ortodônticas

Nalgumas situações, os sisos podem provocar movimento dos dentes adjacentes, quando tentam erupcionar e, assim, comprometer o resultado do tratamento ortodôntico.


- Razões protéticas

Se uma prótese dentária recobrir uma zona onde existe um dente do siso incluso submucoso será necessário extraí-lo previamente à sua confecção, sob o risco de o dente posteriormente erupcionar sob a prótese e causar uma infecção. A sua extracção posterior e as modificações que surgirão no local obrigarão à confecção de nova prótese.